segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Resumo do trabalho que será apresentado no 3º Simpósio Hipertexto e Tecnologias na Educação: mídias sociais e educação, a ser apresentado em 2 e 3 de dezembro de 2010, na Universidade Federal de Pernambuco – Recife-PE

GÊNEROS OCULTOS NA ESCOLA: O E-MAIL

Análise da ocorrência dos gêneros textuais nos livros didáticos, bem como nas DCN’s para o Ensino Médio, e em que circunstâncias eles são trabalhados, quando mencionados. O objetivo é analisar o suporte teórico que os livros didáticos e as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN’s) de língua portuguesa, voltados para o Ensino Médio oferecem ao docente para trabalhar e incentivar a prática do gênero textual e-mail, que se tornou algo recorrente no dia-a-dia, mas que não é trabalhado em sala de aula com a devida importância, mesmo sendo uma modalidade textual bastante utilizada pelos alunos. Fez-se um breve histórico dos gêneros na história, a diferenciação entre gênero e tipo textual e esferas discursivas, trazendo esclarecimentos sobre o objeto da pesquisa: o e-mail. Em seguida, nos atentou-se à análise do objeto, que consiste na investigação de treze livros didáticos do Ensino Médio e dos PCN`s de língua portuguesa. Finalizamos reiterando a importância do trabalho com os gêneros textuais “ocultos” na escola, em especial o uso do e-mail, considerando-o como um novo gênero surgido por meio do desenvolvimento das tecnologias e enfatizando a necessidade dos professores o utilizarem, já que este faz parte do cotidiano de inúmeras pessoas, inclusive dos próprios professores e alunos.

PALESTRA REALIZADA NA UNEB CAMPUS XVI EM IRECÊ AOS ALUNOS DE LETRAS DA PLATAFORMA FREIRE

GÊNEROS TEXTUAIS COM FOCO NO E-MAIL E WEBLOG

           Esta palestra visa discutir sobre o conceito de gêneros textuais, como surgiram e como são trabalhados nas escolas, em especial na escola estadual Colégio Modelo Luis Eduardo Magalhães onde a pesquisa vem acontecendo. A pesquisa vem sendo desenvolvida ao longo de três semestres, por alunos do curso regular de letras da Universidade do Estado da Bahia - UNEB - Campus XVI - Irecê. A primeira  fase da pesquisa busca verificar de que forma os gêneros textuais são trabalhados pelos profissionais de Língua Portuguesa da referida instituição e como os mesmos são aceitos pelos alunos; o que os alunos usam fora do espaço formal (a escola), e o que realmente a escola trabalha. Ficou constatado na primeira fase da pesquisa, que a escola trabalha na pespectiva dos gêneros textuais, porém não trabalha de forma sistemática com os gêneros textuais oriundos das novas tecnologias em especial as tecnologias intelectuais (chat, e-mail, weblog etc.) ficando assim os mesmos ocultos da escola.
           Partindo do pressuposto de que a escola não trabalha de forma sistemática com os novos gêneros, surge uma outra inquietação; o uso do e-mail em sala de aula, nos livros didáticos e nas DCN`s. Como é feito o trabalho como o e-mail pelos professores e, como o mesmo aparece nos livros didáticos? Começa então a segunda fase da pesquisa. Ficando costatado através da análise de treze livros didáticos, que nenhum deles traz o e-mail como gênero textual, fica claro a falta de interesse dos professores em trabalhar com o e-mail, pois os mesmos não têm suporte nem nos livros didáticos nem tão pouco nos PCN's de língua portuguesa. Após os resultados far-se necessário nova pesquisa, se os alunos usam as redes sociais (weblog, e-mail, chat etc.) como seria a escrita dos mesmos nestes ambientes não formais, que sentidos são atribuidos à sua escrita? 
         Como toda e qualquer manifestação de comunicação se dá por meio de textos, reintera-se a importância de se trabalhar com os novos gêneros especialmente os ligados às tecnologias, pois sabe-se que a partir deles surge nova forma de comunicação. "Por ser algo externo ao ser humano, a escrita pode ser modificada, afinal, ela é apenas uma maneira de representar graficamente o significado" (BISOGNIN 2009, p. 45), o Weblog como tecnologia intelectual é um exemplo. É portanto uma alternativa popular para publicação de textos on-line, sejam eles, poemas, músicas, contos etc.
         Diferente do espaço escolar, o weblog é um ambiente informal onde o sujeito lida com a escrita de forma diferenciada. "Língua e escrita são dois sistemas distintos de signos; a única razão de ser dos segundo é representar o primeiro" (SAUSSURE, 2004, p. 34 apud BISOGNIN 2009, p. 47). Ficando evidenciado a falta de suporte e/ou interesse em se trabalhar com os novos gêneros, a pesquisa terá sequência e buscar-se-á respostas para tais inquietaçãoes. 

Bibliografia consultada

BISOGNIN, Tadeu Rossano. Sem medo do internetês. – Porto Alegre, RS: AGE, 2009

sábado, 31 de julho de 2010

O desnudar do sentimento

Madrugada fria...
A insônia toma conte de mim
Embriagando-me de solidão
Restam-me somente as lembranças.

O teu doce olhar...
Tuas mãos a desnudar-me por inteiro
Sussurros...gemidos
Num frenesi de desejos

Braços que se entrelaçam
Corpos, que suados encontram-se por inteiro
Bocas a sussurrar os mais delirantes desejos
O desnudar do sentimento.

Lembranças...são elas
Que invade a madrugada fria.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Pecado meu

Assim sem querer, te quero
Sem pudor, só desejo
Sentir o pulsar do teu coração
O Sussurro... o beijo...

Ah pecado!
Que me envolve...
Pelo olhar só desejo
Ó proibido e insano momento

Que de mim não sai
Pois em minha boca está teu gosto
De pecado proibido...

terça-feira, 29 de junho de 2010

A escrita no ambiente virtual

O programa Login apresentado pela TV Cultura em Abril do corrente ano, traz uma entrevista com o tema “O internetês é uma nova linguagem?” Tendo como um dos entrevistados o linguista e professor da USP – Universidade de São Paulo Emílio Paggoto. Sabe-se que a gramática é uma referência de escrita correta, porém com o avanço das Tecnologias de Comunicação e Informação - TIC’s e com ela as Tecnologias Intelectuais – TI (Orkut, Weblog, Twitter, Chat, etc), surge uma nova forma de comunicação, o internetês: linguagem/código escrito utilizado pelos internautas no ambiente virtual. Segundo BISOGNIN (2009, p.8) "o internetês é uma recriação gráfica das línguas escrita e falada preexistentes, enriquecida com representações e simbologias". É uma linguagem/código escrito criada para agilizar a comunicação no ambiente virtual, principalmente em sites de relacionamentos como o Orkut, Blog, E-mail, Chat, etc. Nos três primeiros a comunicação se dá de forma assíncrona, ou seja, a mensagem é escrita, mas, a resposta não se dá de imediato, enquanto o chat (bate-papo) a comunicação é síncrona, pois escrevemos a mensagem e obtemos a resposta no mesmo instante. Mas, estaria a ortografia ameaçada por essa nova forma de comunicação? Segundo Pagotto não, pois a internet trouxe a escrita de volta, ou seja, através das TIC’s, ela trouxe os jovens para dentro do universo da escrita, pois para ele a mesma vinha se perdendo desde a década de 1970. Vale ressaltar que a internet tem muitas funcionalidades, mas é a comunicação a sua principal característica. Segundo Bisognin

A internet é um novo ambiente de enunciação cultural, com múltiplas linguagens, possibilidades de interações, velocidades acelerada de informação e estrutura multimidiática. Ela suscita e expressa um ambiente de comunicação diferenciado. Isso pode ser percebido até nas formas de escrever utilizadas pelos internautas, principalmente pelos jovens, na comunicação eletrônica: interferem sobre a escrita culta padrão para interagir [...] Aparentemente há uma forma específica de comunicação utilizada em relação com a língua materna culta. ( BISOGNIN, 2009, pp 13-4-6)

Como imaginamos, essa nova forma de escrever não influencia tanto na escrita da escola, ainda é pouco o que se ver de transferência, pois o jovem sabe que é necessário dominar as duas formas da língua, no entanto, vale lembrar que existem sim abreviações de algumas palavras como por exemplo: vc (você), tbm (também), etc. Segundo os entrevistados essas abreviações aparecerem bem antes da internet, pois, o professor abrevia na lousa e também estas eram usadas em telegramas.

O internetês por ser uma linguagem que pede agilidade necessita das abreviações, pois, dependendo da tecnologia intelectual utilizada a comunicação se dá com várias pessoas ao mesmo tempo. Segundo Bisognin, “não podemos esquecer que a escrita alterada pelos jovens na internet é uma representação da linguagem, a qual, por sua vez, associa-se ao pensamento”. (BISOGNIN, 2009, p. 23). E é nesse ambiente de interação, que o internauta usa a escrita para marcar sua identidade e é através da escrita que podemos identificar o grau de instrução do usuário.

Pagotto lembra que no internetês estão concentradas todas as formas e fases que os sistemas de escrita passaram na história da humanidade e especificamente em relação às abreviaturas, desde que se escreve português a presença das mesmas eram maciças em textos manuscritos. Com isso vale lembrar que os jovens sabem o momento ideal de fazer uso das abreviações, como também é papel do profissional de educação lembrá-los que o uso só é válido em ambientes virtuais e, não são aceitos na formalidade, em especifico nas redações de vestibulares.

Sendo a escrita uma representação gráfica do discurso, no ambiente virtual não é diferente, pois, segundo Barreto e Baldinotti (2005, p.25), “emissor e receptor negociam um com o outro o código e o sentido que as palavras devem assumir durante o ato linguístico-comunicativo”. Os mesmos autores citam Jacobson

Existe, pois, na combinação de unidades linguísticas, uma escala ascendente de liberdade. Na combinação de traços distintivos em fonemas, a liberdade individual do que fala é nula; o código já estabeleceu todas as possibilidades que podem ser utilizadas na língua em questão. A liberdade de combinar fonemas em palavras está circunscrita; está limitada à situação marginal de criação de palavras... Ao formar frases com palavras, o que fala sofre menor coação. E, finalmente, na combinação de frases em enunciados, cessa a ação de regras coercitivas da sintaxe e a liberdade de qualquer indivíduo para criar novos contextos cresce substancialmente, embora não se deva subestimar o número de enunciados estereotipados. (JACOBSON, apud BARRETO; BALDINOTTI 2005, p.23)

A linguagem é facilitada, há liberdade em combinar fonemas, utilização de sinais de pontuação para expressar sentimentos e emoções, uso excessivo de abreviaturas. Pagotto lembra que as abreviações são feitas a partir das consoantes, para ele, “o que está acontecendo no internetês, é o mesmo que aconteceu no início da escrita alfabética, é uma escrita silábica, porque a vogal ela é relativamente predizível enquanto que a consoante não é”, ou seja, o sujeito ao fazer uso do internetês, no seu inconsciente ele sabe como é a sílaba do português. No entanto, para que haja comunicação, a linguagem/código tem que ser compreendida e é necessário haver um conhecimento linguístico, ter familiaridade com a internet, caso contrário, não haverá comunicação.



Referências


BARRETO; R. P.; BALDINOTTI, Sérgio. Ciberdiscurso e Interculturalidade na Web. Tangará da Serra [MT], 2005.
_____ Tecnologias intelectuais e linguagens na cultura do novo capitalismo. 2009 (Prelo)

BISOGNIN, Tadeu Rossato. Sem medo do internetês. – Porto Alegre, RS: AGE, 2009.

http://www.tvcultura.com.br/login/videos/naintegra/2010-04-28/25730

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Insanidade

Com minha alma em pedaços,
Procuro por ti e não obtendo respostas,
Sigo a caminhar sem rumo,
Perdendo-me em pensamentos insanos.
Madrugada a fora, imagino ...
Calando-me com os beijos teus,
Sufocando-me com o teu cheiro,
Acariciando-me com teu corpo.
Volto à realidade e vejo que são
Só pensamentos, momentos de êxtase
De um ser insano, que de tão insano
Sonha  ...

terça-feira, 18 de maio de 2010

Teu cheiro

Estou só e surpreendo-me com meus pensamentos...
e pedindo à noite para te ter, me invade a sensação
do aconchego dos teus braços, do teu perfume
que suavemente toma conta da minha solidão

Como te esquecer se cada vez que tento
mais me lembro de você.
Novamente me vem a sensação...
o toque da sua mão, o seu olhar, a sua atenção 
e novamente o teu cheiro toma conta de mim.

Quando vejo já é madrugada
te procuro e não te encontro.
Talvez ao ouvir nossa canção
se lembre que estás comigo, pois o teu
cheiro permanece em mim...