sábado, 16 de fevereiro de 2013

Ontem dando uma olhada no acervo da biblioteca do Colégio Odete me deparei com um livro de poemas de um autor que não conheço, porém o mesmo é aqui de Irecê, chama se PORQUE AS LÁGRIMAS CAEM, porque as lágrimas caem? de Aroldo Fernandes Serra. Lendo o pequeno livro...gostei de um dos poemas, um soneto e trago aqui para que apreciem como eu o fiz.


Amor Ausente

Quando tens tempo para olhar-me
Por dias eu já tinha reparado em ti
Em traços fortes dos lábios bem doces
Por ares negros e sombrios da solidão.

mar negro que ofusca  a minha paixão.
De imorais desejos que sinto
Calado, frustrado, maluco, belo ou faminto
O que será desse amor que enxergo agora.

Grito, xingo e me descabelo por horas
Choro em instantes de desespero
por não saber apelar pelo amor que não vejo.

Sei que amo, algo que toco e não sinto.
Algo que tenho e por fim não possuo
Este é meu amor ausente (cadê você)

quarta-feira, 23 de maio de 2012


Trabalho apresentado no Iº Identidade e Docência - 2011

WEBLOG: UM NOVO ESPAÇO DE ESCRITA


Introdução

Este artigo tem por intuito apresentar um relato de experiências sobre o uso das TIC como ferramenta educacional extraclasse, em especial o Weblog. Esse trabalho foi desenvolvido em duas turmas do ensino fundamental II da Escola Municipal Antônio Carlos Magalhães, em Irecê- Ba. O objetivo era observar a escrita desses alunos na escola e levá-las ao blog para que estes tivessem acesso a suas produções e futuras correções. A metodologia aqui empregada é de base etnometodológica, pois a mesma considera a realidade socialmente construída pelos sujeitos, sua vida cotidiana e as relações sociais produzidas a partir de suas vivências. Segundo Coulon, citado por Rivero

A etnometodologia é a pesquisa empírica dos métodos que os indivíduos utilizam para dar sentido e ao mesmo tempo realizar as suas ações de todos os dias: comunicar-se, tomar decisões, raciocinar. Para os etnometodólogos, a etnometodologia será, portanto, o estudo dessas atividades cotidianas, quer sejam triviais ou eruditas, considerando que a própria sociologia deve ser considerada como uma atividade prática. (COULON apud RIVERO, sd, p.4).

A partir dessa concepção, podemos compreender as construções sociais que permeiam as nossas conversas, nossos gestos, nossa comunicação e interação com a sociedade.
 Com o advento e acentuado uso das tecnologias, em especial as tecnologias intelectuais (weblog, Orkut, facebook) e sabendo que boa parte dos alunos tem acesso a essas mídias, foi que se pensou num trabalho voltado para o uso dessa tecnologia extraclasse, pois a referida instituição apesar de ter um laboratório de informática com todos os equipamentos, este se encontra temporariamente indisponível para o uso, pois a sala onde está localizado, no momento funciona a secretaria.
Desse modo surge o questionamento: como promover a interação com os alunos através desse espaço de produção de escrita e de conhecimento se não disponibilizamos de um ambiente para o uso dos equipamentos? Partindo do pressuposto de que boa parte dos alunos tem conhecimento e acesso a internet em casa e/ou lan-house, não seria inviável a proposta, mesmo não sendo fácil tentaríamos interagir com os alunos e realizar um trabalho significativo utilizado o weblog. Foi nesta perspectiva que iniciamos as atividades.

Weblog: uma ferramenta de interação e construção do conhecimento

Com o avanço das tecnologias de comunicação e informação (TIC’s), surgem novas formas de comunicação e interação. Segundo Marcuschi (2010, p.31) “todas as tecnologias educacionais novas geram ambientes e meios novos”, o weblog é uma delas. O termo weblog foi criado por Jom Barger em 1997 e, segundo algumas definições, significa: diário digital na internet; diário virtual etc. Neste novo espaço de escrita, de interação e construção do conhecimento, o cibernauta poderá postar textos utilizando uma linguagem diferenciada, além de utilizá-lo como diário, este poderá servir de suporte para muitos outros gêneros.
A priori, se pensou em utilizar o espaço para socialização das atividades extraclasse, com isso, utilizaríamos o blog como suporte dos gêneros trabalhos em sala de aula. A proposta foi discutida juntamente com a turma e então criamos o blog – “Além da sala de aula” –. A primeira atividade proposta para o 7º ano foi fazer a leitura de um texto informativo voltado à sociedade e cultura, principalmente no modo como eram tratadas as mulheres na sociedade. Como estávamos na semana da mulher foi pedido que cada aluno produzisse um texto falando sobre o preconceito que a mulher vinha sofrendo ao longo de toda a história. Alguns textos foram postados sem nenhuma correção, pois estas seriam feitas em sala de aula.
Para que houvesse uma aprendizagem significativa, propusemos que visitassem o blog, fizessem a leitura dos posts e verificassem a sua escrita e consequentemente a dos colegas. Com isso, estariam enriquecendo seus conhecimentos. Para Lévy é a chamada inteligência coletiva, pois, segundo ele

É uma inteligência distribuída por toda a parte, incessantemente valorizada, coordenada em tempo real, que resulta em uma mobilização efetiva das correspondências [...] a base da inteligência coletiva são o reconhecimento e o enriquecimento mútuo das pessoas, e não o culto de comunidades fetichizadas ou hipostasiadas. (LÉVY, 2007, p. 28-29).

A partir do momento em que eles têm acesso a outros ambientes de escrita e que se veem capazes de escrever, de interagir com os colegas, entenderão que ninguém sabe tudo e que juntos podem aprender mais, com isso poderão se tornar sujeitos mais críticos percebendo que os saberes se constroem na coletividade.
Construindo esses saberes coletivamente, continuamos com os nossos trabalhos sempre na mesma perspectiva, leitura, discussões, vídeos, áudios, produções e postagens. Além disso, buscou-se também uma interação entre alunos e professor, pois, após fazerem a leitura no ciberespaço, tem-se um espaço para interação, e esta não acontece somente entre comentaristas, mas segundo Recuero,

[...] é possível realizar um diálogo não apenas entre os comentaristas, mas também com o autor do blog. Trata-se de uma interação construída, negociada e criativa. É possível observar-se em um blog não apenas a interação em um comentário, mas as relações entre as várias interações e perceber-se que tipo de relação transpira através daquelas trocas. (RECUERO, 2009, p.33).

Essa interação não acontecia como esperado, pois relatava a falta de computador com acesso a internet em casa, e muitas vezes falta de dinheiro para acessá-lo em lan-house. Mas o que na verdade se pôde perceber foi à falta de compromisso por falta de muitos alunos, porém o trabalho não para por aí.
Com a turma de 6º ano, foram trabalhados alguns contos - Uma vela para Dario - Dalton Trevisan; A doida - Drummond, dentre outros. Esses textos foram trabalhados de forma dinâmica, além de utilizarmos os contos impressos e assistirmos aos curtas baseados nas obras, conhecemos vários outros, tudo bem dinâmico, especialmente porque se trata de uma turma de 6º ano que se encontra com dificuldades de leitura e interpretação, por isso se fez necessário utilizar de vários recursos didáticos.  O que se pretendeu no início foi apresentar aos alunos, a estrutura de um conto, a linguagem utilizada, os personagens, a ação o espaço, enfim o desenrolar de toda a narrativa.
Depois de todo esse processo, foi pedido que cada aluno produzisse o seu conto, seguindo todas as orientações que tinham, tanto em seus cadernos, como as que foram passadas oralmente.  Depois de tanta resistência em produzir, foram recolhidos, postados no blog e pedido que cada um fosse visitá-lo e fizessem as leituras, algumas observações e comentários.  É bom ressaltar que todos os posts são originais, não sofreram correção antes de serem postadas, essas aconteceriam em sala de aula.
Desse modo, estaríamos utilizando os gêneros tradicionais escritos em sala de aula, bem como os oriundos das novas tecnologias – o weblog. Todos os gêneros oriundos das novas tecnologias estão ligados à escrita, assim afirma Marcuschi

O fato inconteste é que a internet e todos os gêneros a ela ligados são eventos textuais fundamentalmente baseados na escrita. Na internet, a escrita continua essencial apesar da integração de imagens e de som. Por outro lado, a ideia que hoje prolifera quanto haver uma “fala por escrita” deve ser vista com cautela, pois o que se nota é um hibridismo mais acentuado, algo nunca visto antes, inclusive com o acumulo de representações semióticas. (MARCUSHI, 2010, p. 22)       


            Mesmo utilizado de uma gama de gêneros textuais tradicionais ou oriundos das TIC, percebe-se a falta de interesse nesses alunos em leitura e produção. Eles se encontram em defasagem idade/série, talvez esteja ai a resposta para a falta de interesse. Justamente por estarem em defasagem, procuramos a cada texto levado à para sala de aula, tê-lo em outro suporte, seja numa canção, num curta etc., para que com isso a aula fique mais atrativa e que a partir dai eles tenham interesse em ler e produzir.
            Os trabalhos com leitura e produção nos dois espaços – classe e weblog – continuavam, seguindo a mesma metodologia. Como estávamos trabalhando com contos, foi a vez de Clarice Lispector, trabalhamos o conto “Felicidade Clandestina”. Eles tiveram acesso tanto ao texto tradicional escrito, como o texto fílmico, como relatado anteriormente, tentamos trabalhar com o mesmo gênero em suportes diferenciados. Assistiram ao curta, fizeram a leitura do conto e só depois foi pedido que fizessem um resumo, observando a diferença do texto nos dois suportes apresentados. Como de praxe, fizemos os posts sem nenhuma correção. 
            Num momento posterior, trabalhamos com alguns contos dos Irmãos Grimm, logo depois assistimos ao filme, discutimos algumas questões observadas na narrativa e posteriormente produziram um resumo. Esta atividade foi feita com as duas turmas 6º e 7º. Como vinha percebendo, a interação via ciberespaço não estava acontecendo, todos os dias na classe, cobrava a visita e os comentários nas postagens, pois assim como discutido por alguns autores, também acreditamos no potencial da estrita no desenvolvimento cognitivo dos seres humanos. Ong citado por Freitas diz que

[...] Sem a escrita, a mente letrada não pensaria e não podia pensar como pensa, não apenas quando se ocupa da escrita, mas normalmente, até mesmo quando está compondo seus pensamentos de forma oral. Mais do que qualquer outra invenção individual, a escrita transformou a consciência humana. (ONG apud FREITAS, 2006, p. 31).

               O que o autor vem dizer é que a escrita é capaz de transformar a mente e reestruturar a consciência. A partir do momento que o sujeito ler e escreve, ele é capaz de manipular qualquer pessoa que não tenha conhecimento de leitura. Nós seres humanos, somos os únicos seres capazes de nos comunicar, de transformar e conhecer o mundo através da leitura e escrita. Tendo o conhecimento dessa realidade, tentamos incentivar os alunos ao máximo para que se apossem das leituras, sejam elas no ciberespaço, livros ou outros suportes, pois, a partir dai poderão se tornar sujeitos críticos e conhecedores dos seus direitos e deveres, pois segundo Vigotsky e Luria apud Freitas, “a escrita além de permitir fazer coisas novas, transforma a fala e a linguagem em objetos de reflexão”.
               Depois de algumas experiências na leitura e produção de contos, começamos a trabalhar com o gênero memória. Trouxemos para as turmas, o conceito e as características do gênero, também, alguns textos para que eles tivessem como exemplo e depois pedido que cada um fizesse a sua “memória”, contando fatos que marcaram sua infância, sua primeira experiência na escola, como aprenderam a ler e escrever, e depois socializasse para a turma, essa produção não foi postada no blog. A proposta posterior foi de cada um fazer uma entrevista com uma pessoa mais velha, poderia ser um avô (ó), contando que este tivesse mais de 50 anos, feito isso, a partir do texto postado no blog “Recordar é viver”, eles já poderiam começar suas produções. Consegui essas produções do 7º ano, logo, fiz os posts no blog, depois foram corrigidas e devolvidas a seus respectivos donos para uma reescrita.
             Depois de tudo isso, propus em fazer um trabalho diferenciado que posteriormente será postado no blog – um documentário sobre os jovens de ontem em contraponto com os jovens de hoje. O ideal desse trabalho, é que além de conhecer a escrita no ciberespaço, eles terão contato com outras mídias digitais.
              

Conclusões preliminares
  
               O que se pretendeu com esse trabalho, foi apresentar a experiência com o uso das TIC extraclasse, buscando através do espaço do weblog uma interação entre professor e alunos. Buscou-se neste percurso – que não acaba aqui – levar aos alunos uma nova forma de leitura e escrita, para que eles se sentissem mais motivados – textos com suportes tradicionais, texto fílmico, áudio, etc., percebemos que em sala de aula eles faziam a leitura, interagiam, produziam seus textos, resumos, mesmo que com muita resistência, mas em se tratando do ciberespaço, estes não tinham interesse nenhum em fazer a visita e comentários nas suas atividades postadas no blog.
                        Mas seria possível essa interação se a escola em questão não disponibiliza até o momento de um espaço para socialização dessas atividades? Como relatado anteriormente, o nosso laboratório se encontra indisponível por falta de espaço. Tentamos, portanto, compreender que talvez fosse essa a falha no nosso trabalho, mas sei também que esses mesmo alunos tem acesso à internet fora da escola, então, não seria esse o problema. Teriam eles interesse em perder uma hora, trinta minutos fazendo leitura se nesse mesmo tempo eles poderiam visitar suas redes sociais? Desse modo, compreendemos que houve interação, mas não da maneira que vinha pretendendo, compreendemos também que não basta levar textos, é preciso motiva-los para que eles compreendam que só é possível aprender algo através das interações, sejam elas face a face ou no ciberespaço. Seguirá em anexo algumas das atividades que fizemos na sala e que foram levadas ao blog, estas foram corrigidas na classe.
                

Referências:

LÉVY, Pierre. Inteligência coletiva. Por uma antropologia do ciberespaço. 5. ed. São Paulo, Edições Loiola, 2007.
MARCUSCHI, L. A.; XAVIER, Antônio Carlos. Hipertexto e gêneros digitais: novas formas de construção de sentido. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2010.
FREITAS, Maria Teresa de Assunção. Leitura e escrita de adolescentes na internet e na escola. 2.ed. – Belo Horizonte: Autêntica, 2006.
RECUERO, Raquel. Redes sociais na internet. Porto Alegre: Sulina, 2009.
RIVERO, Cléia Maria da Luz. Etnometodologia Na Pesquisa Qualitativa Em Educação – caminhos para uma síntese. Disponível em:.sepq.org.br /IIsipeq/ anais/pdf /mr2/mr2 _ 5.pdf




Anexos


























Trabalho apresentado na UERJ em 2011


A ESCRITA DOS ESTUDANTES DO ENSINO BÁSICO NA ESCOLA E NA INTERNET
Giomara Gomes Rocha Machado[1]
Robério Pereira Barreto[2]

RESUMO: Este artigo consiste na base de um planejamento para a construção do trabalho monográfico do final da graduação em Letras e, ao mesmo tempo, solidifica o meu desejo em dar continuidade às investigações iniciadas no campo da linguística textual, buscando observar a produção de textos de alunos em sala de aula e em ambientes não formais como a internet (hipertextos). A metodologia utilizada para este estudo é de base etnometodológica, pois a mesma considera que a realidade socialmente construída pelos sujeitos esta presente na vivência cotidiana e a partir daí, podemos compreender as construções sociais que permeiam nossas conversas, nossos gestos, nossa comunicação. A fim de situar o leitor, se faz necessário um estudo sobre o surgimento da escrita e sua evolução, seu papel na formação do sujeito, seu uso dentro das tecnologias intelectuais, o hipertexto, o internetês, que são os usos de abreviações necessárias por se tratar de uma comunicação que requer agilidade.

Palavras-chave: Escrita, hipertexto, internetês .

Abstract: This article is based on a plan to build the monograph's final graduation in Arts and at the same time, solidifies my desire to continue the investigations started in the field of textual language, seeking to observe the production of texts for students in the classroom and in non-formal and the internet (hypertext). The methodology for this study is based on ethnomethodological, because it believes that reality is socially constructed by individuals is present in daily life and from there we can understand the social constructions that permeate our conversations, our gestures, our communication. In order to situate the reader, it is necessary a study on the emergence of writing and its evolution, its role in the formation of the subject, its use within the intellectual technologies, hypertext, the Internet, which are the use of abbreviations if necessary by case of a communication that requires agility.
Ouvir
Ler foneticamente


Keywords: writing, hypertext, internet.

Introdução

Este artigo consiste na base de um planejamento para a construção do trabalho monográfico do final da graduação em Letras e, ao mesmo tempo, solidifica o meu desejo em dar continuidade às investigações iniciadas no campo da linguística textual, buscando observar a produção de textos de alunos em sala de aula e em ambientes não formais como a internet (hipertextos).
Diante do acentuado uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC’s) e Tecnologias Intelectuais (TI) – Weblog, Chat, Orkut, MSN – e pela constatação do fato de que os estudantes fazem uso destas redes sociais, acredito ser importante a investigação sobre a escrita desses sujeitos nestes ambientes informais e, contudo, relacionar com suas produções textuais realizadas na escola, observando se a escrita realizada na internet influencia e até que ponto ela poderá influenciar a escrita realizada na escola.
A metodologia utilizada para este estudo é de base etnometodológica, pois a mesma considera que a realidade socialmente construída pelos sujeitos está presente na vivência cotidiana e a partir daí, podemos compreender as construções sociais que permeiam nossas conversas, nossos gestos, nossa comunicação. A princípio far-se-á necessário uma leitura aprofundada dos textos teóricos, para só futuramente ter subsídios para a pesquisa de campo.

O surgimento da escrita

            A escrita nasce da necessidade de o homem se comunicar através de registros os quais são possibilitados pela tecnologia intelectual, escrita.  Na pré-história essa comunicação era feita através de desenhos feitos em cavernas, para alguns escritores esta ainda não era considerada escrita, pois não havia organização. A invenção da escrita deu-se em momentos distintos e em diversos lugares no mundo e, segundo algumas fontes, foi na antiga Mesopotâmia quatro milênios a.C., pelos sumérios[3], que a escrita foi elaborada.
            Os sumérios usavam o sistema de escrita para ajudar na memorização e contabilização dos seus bens.“Depois de ter servido de notação à língua dos sumérios que viviam na mesopotâmia nos milênios IV e III antes da nossa era, a escrita se propagou em toda a Ásia anterior, onde se tornou o meio de expressão de línguas diversas (HIGOUNET, 2003, p 29)”. Segundo o autor, a escrita dos sumérios, neste momento, era considerada semipictográfico, ou seja, havia ali um quase reconhecimento do objeto representado pelos sinais. Logo depois a escrita semipictográfica veio a se transformar em cuneiforme[4], o mais antigo sistema de escrita que se tem registro, esses eram gravados em placas de argila. Com a evolução, surge no Antigo Egito a escrita hieroglífica[5]. “Os hieróglifos eram sinais sagrados gravados (do grego hieros, “sagrado”, e glyphein, “gravar”) que os egípcios consideravam ser a fala dos deuses” (HIGOUNET, 2003, p. 37). Os egípcios também faziam uso de outra forma de escrita, a hierática, esta era utilizada pelos sacerdotes e mais tarde cedeu lugar à demótica[6].
A escrita demótica (do grego demos “o povo”) se constituiu no início do primeiro milênio a.C., a partir da escrita hierática. Seu sistema é o mesmo usado pela escrita hieroglífica, mas sua grafia simplificada para se obter rapidez e suas ligaduras juntando entre si os sinais tornam sua leitura mais difícil [...] (HIGOUNET, Charles 2003, p 42).

            Mais tarde surge o alfabeto romano, no qual havia somente letras maiúsculas, estas eram escritas nos pergaminhos, com hastes de bambu ou penas de aves. Destarte, no decorrer da história da escrita vão surgindo modificações, novos povos, nova forma de escrita, criou-se então o Uncial[7], este resistiu até o século VIII e foi muito utilizado nas escrituras da bíblia. Nesse tempo, estas escritas eram consideradas não-alfabéticas. Entre as escritas não-alfabéticas se encontra a cuneiforme e hieroglífica, anteriormente citadas e também a chinesa, esta conservada e atualmente em uso. A escrita chinesa segundo Higounet, atualmente é usado por um quito da população do globo (HIGOUNET, 2003, p.48).
            É, no entanto, com o surgimento do alfabeto, que surgem as escritas alfabéticas e segundo o autor, foi durante a segunda metade do segundo milênio a.C. que os fenícios elaboraram o alfabeto (HIGOUNET, 2003, p.65), este deu origem a todos os alfabetos atuais. Como escrita alfabética temos a árabe, as indianas, as rúnicas dentre outras. Mais tarde surge então o alfabeto grego, este sem dúvida, foi de extrema importância para a história da nossa escrita, pois os gregos incorporaram neste alfabeto alguns sons vocálicos.

A importância do alfabeto grego é capital na história da nossa escrita e da civilização. Além de ter servido para notar a mais rica língua de cultura do mundo antigo e de ter transmitido a mensagem de um pensamento incomparável, ele foi também o intermediário ocidental entre o alfabeto semítico e o alfabeto latino, intermediário não apenas histórico, geográfico e gráfico, mas estrutural, pois foram os gregos os primeiros a ter a ideia da notação integral e rigorosa das vogais (HIGOUNET, 2003, p.87).

Por fim e para encerrar a primeira e longa fase da história da nossa escrita, surge o alfabeto latino por volta do século I a.C., este composto por vinte e três letras e, segundo Higounet foi o alfabeto grego ocidental responsável pelo surgimento do alfabeto latino. A partir daí vão sendo aperfeiçoadas, sofrendo algumas modificações até chegar ao modelo que temos hoje.
O papel da escrita na formação do sujeito

            Conforme já mencionado antes, a escrita surge da necessidade de o homem se comunicar, hoje ressaltamos sua importância na formação do sujeito, pois sabemos que é a escrita possibilita interação das mais variadas culturas. Ao se falar de formação do sujeito, entende-se que não existe um sujeito universal, e de acordo com as teorias marxistas, tornamo-nos sujeitos a partir das relações sociais que estabelecemos com o mundo.
O homem é produto do meio, e partindo desse pressuposto, inferimos que a escola seja uma das instâncias responsável no processo de formação desse sujeito. Destarte, quando a criança vai para a escola, ela já tem um conhecimento da língua falada, portanto neste momento a escola passa ser responsável pelo desenvolvimento intelectual do sujeito, agindo sobre ele no processo de escrita. É através língua oral ou escrita que o homem age sobre o outro, externa seu pensamento, influencia e se deixa influenciar pela ação da linguagem do outro.
            Assim, a escrita desde seu surgimento vem passando por grandes transformações, criaram-se tecnologias que vieram favorecer o surgimento de novos modos de leitura e escrita e, a escola tem que está preparada para receber essas tecnologias e a partir daí fazer um bom uso para que estas venham ajudar na aprendizagem do código escrito dos seus alunos.
            A partir das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC’s), surgem novos caminhos que vêem beneficiar nesse aprendizado, o hipertexto[8] é um exemplo, pois vai além do texto tradicional, possibilitando ao sujeito uma nova forma de leitura e escrita, ele é ao mesmo tempo leitor, autor e co-autor de textos diversos, podendo esses textos serem usados coletivamente e, por sua vez estão sujeitos a modificações. Vejamos um exemplo no quadro 1:


Segundo Barthes citado por Freitas “trata-se de um texto composto de blocos de palavras ou de imagens, conectados eletronicamente, conforme múltiplos percursos, numa textualidade sempre aberta e infinita” (FREITA, 2006. p.40). É um texto a partir do qual o leitor tem a possibilidade de escolher o caminho que mais lhe interesse, quebrando as normas do texto tradicional onde não haveria essa possibilidade de escolha, pois o percurso do texto tradicional é fixo.
É fundamental que a escola e principalmente os professores de língua materna, incentive seus alunos a também usarem os hipertextos, desenvolver sua criatividade, sua capacidade de adaptação, leitura e escrita, e isso de fato é mais fácil para os adolescentes pois nasceram em meio a um mundo globalizado onde tudo gira em volta das tecnologias, sobretudo a internet.

A escrita na sociedade contemporânea

            A escrita em ambiente digital surge da necessidade de o homem se comunicar de modo rápido e instantâneo, e esta foi uma das maiores invenções da humanidade no último século. Para nos comunicar usamos os gêneros textuais, seja numa conversa formal ou informal, com o avanço das tecnologias esses gêneros veem perdendo lugar para os tecnológicos, ou seja, as comunicações que antes fazíamos por carta, hoje utilizamos o e-mail, o bilhete foi substituido pelo scrap. Na sociedade contemporânea em que vivemos, o papel da internet é muito importante, mas segundo Bisognin é a comunicação uma das suas principais funcionalidades. Segundo o autor
 A internet é um novo ambiente de enunciação cultural, com múltiplas linguagens,     possibilidades de interações, velocidades acelerada de informação e estrutura multimidiática. Ela suscita e expressa um ambiente de comunicação diferenciado. Isso pode ser percebido até nas formas de escrever utilizadas pelos internautas, principalmente pelos jovens, na comunicação eletrônica: interferem sobre a escrita culta padrão para interagir [...] Aparentemente há uma forma específica de comunicação utilizada em relação com a língua materna culta. (BISOGNIN, 2009)

A internet vem favorecer ao usuário uma nova forma de escrita e, preocupados com isso, alguns estudiosos acreditam que a escrita feita na internet, vem prejudicar a escrita padrão, a norma culta da língua portuguesa, porém esquecem que mesmo em ambientes virtuais, a escrita vem sendo desenvolvida, mesmo não agradando a muitos estudiosos e principalmente aos gramáticos.
A internet possibilita ao navegador ser ao mesmo tempo leitor e autor/co-autor de vários textos, destarte, Lévy nos chama a atenção para essas novas formas de leitura e escrita, segundo ele, nos hipertextos não é mais o leitor que se desloca nas prateleiras de bibliotecas e livrarias, mas é o texto que se desloca e desdobra-se a vontade do leitor (FREITAS et.al 2006. p.35 apud Lévy (1996)).
Surge então uma inquietação; sendo a gramática uma referência de escrita correta, poderia a escrita nos hipertextos interferir na escrita da escola? Emílio Pagotto diz, que ao contrário do que pensamos, a internet trouxe a escrita de volta, ou seja, através das TIC’s, ela trouxe os jovens para dentro do universo da escrita, pois, segundo ele a mesma vinha se perdendo desde a década de 1970 (Programa Login – TV Cultura).
Foi portanto, com o avanço das Tecnologias de Comunicação e Informação - TIC’s e com ela as Tecnologias Intelectuais – TI (Orkut, Weblog, Twitter e, Chat), que surgiu entre os jovens uma nova forma de comunicação, o internetês ou segundo Costa “estilo on-line”. O internetês é uma linguagem/código escrito utilizado pelos internautas no ambiente virtual com o intuito de agilizar a comunicação no ambiente virtual, principalmente em sites de relacionamentos. Para Bisognin (2009, p.8) "o internetês é uma recriação gráfica das línguas escrita e falada preexistentes, enriquecida com representações e simbologias", com o intuito de agilizar a comunicação no ambiente virtual, principalmente em sites de relacionamentos.
Como já fora dito por Saussure, a linguagem é um fator social, não obstante, para os jovens internautas a escrita é a representação da linguagem, pois os mesmo se identificam com seus grupos a partir da sua linguagem/escrita, que é, portanto, a representação da fala. Por tanto, a modalidade de linguagem utilizada pelos jovens na Internet não contraria Saussure quando ele diz que a “língua é um sistema de signos que exprimem ideias” (BISONGIN 2009, p.23, citando SASSURE 2004, p. 24), pois é conhecendo os ambientes virtuais, vivenciando novas experiências, interagindo com pessoas das mais variadas localidades e faixas etárias, que os sujeitos vão expor as suas ideias e seus pensamentos.

O uso do internetês
            Há uma grande preocupação quanto ao uso de abreviações na escrita formal, pois, muitos acreditam que a internet veio desestruturar a escrita feita pelos jovens na escola, não se lembrando que desde séculos a.C., esta era uma forma de economizar tempo, papiro, pergaminho dentre outros materiais utilizados para escrever. Na sociedade globalizada em que vivemos essa nova forma de escrita recebe o nome de internetês, como vimos acima, "o internetês é uma recriação gráfica das línguas escrita e falada preexistentes, enriquecida com representações e simbologias" (BISOGNIN, 2009, p.8).
            A comunicação via internet requer agilidade, por isso se faz necessário o uso das abreviações. “Não se abrevia mais para economizar o papel, menos caro e agora menos raro que o pergaminho, continua-se a abreviar para obter rapidez, cada um segundo sua imaginação.” (HIGOUNET, 2003, p.166). Sendo a escrita uma representação gráfica do discurso, no ambiente virtual não é diferente, pois, segundo Barreto e Baldinotti (2005, p.25), “emissor e receptor negociam um com o outro o código e o sentido que as palavras devem assumir durante o ato linguístico-comunicativo”. Os mesmos autores citam Jacobson

Existe, pois, na combinação de unidades linguísticas, uma escala ascendente de liberdade. Na combinação de traços distintivos em fonemas, a liberdade individual do que fala é nula; o código já estabeleceu todas as possibilidades que podem ser utilizadas na língua em questão. A liberdade de combinar fonemas em palavras está circunscrita; está limitada à situação marginal de criação de palavras... Ao formar frases com palavras, o que fala sofre menor coação. E, finalmente, na combinação de frases em enunciados, cessa a ação de regras coercitivas da sintaxe e a liberdade de qualquer indivíduo para criar novos contextos cresce substancialmente, embora não se deva subestimar o número de enunciados estereotipados. (JACOBSON, apud BARRETO; BALDINOTTI 2005, p.23)

A linguagem é facilitada, há liberdade em combinar fonemas, utilização de sinais de pontuação para expressar sentimentos e emoções – emoticons, uso excessivo de abreviaturas (vc - você; tmb – também; qnd – quando; bjos, bjkas, bjoooss – beijos...) Pagotto lembra que as abreviações são feitas a partir das consoantes, para ele, “o que esta acontecendo no internetês, é o mesmo que aconteceu no início da escrita alfabética, é uma escrita silábica, porque a vogal ela é relativamente predizível enquanto que a consoante não é”, ou seja, o sujeito ao fazer uso do internetês, no seu inconsciente ele sabe como é a sílaba do português.      No entanto, para que haja comunicação, a linguagem/código tem que ser compreendida e é necessário haver um conhecimento linguístico, ter familiaridade com a internet, caso contrário, não haverá comunicação. Essa comunicação poderá ser síncrona – em tempo real, na comunicação assíncrona o receptor/transmissor pode encaminhar suas mensagens sem se preocupar com a resposta e sim com aconclusão do envio da mensagem. Vejamos um exemplo de comunicação síncrona, onde podemos perceber o uso de abreviações, emoticons, o uso do internetês.

13:04) Drikka:
oiii
(13:05)  ΔĐŘÎΔŇØ ®:
oi
tudo bem amor 
(13:05) Drikka:
bem ?
to otimaa
(13:05)  ΔĐŘÎΔŇØ ®:
sim e vc 
(13:05) Drikka:
otimaaa
(13:05)  ΔĐŘÎΔŇØ ®:
vc   de onde 
(13:05) Drikka:
Salvador
(13:06)  ΔĐŘÎΔŇØ ®:
 tem celuar gata
(13:06) Drikka:
pq vc qr meu cel
?
(13:06)  ΔĐŘÎΔŇØ ®:
se vc quiser dar
(13:06) Drikka:
neste momento naum, qm sabe dps
(13:07)  ΔĐŘÎΔŇØ ®:

ok prazer sou adriano tenhu 17 aninhos
(13:07) Drikka:
Prazer, Adriana tenho 16 anos, mas pode me chamar de Drika

















Considerações preliminares

Como podemos perceber, houve uma mudança significativa na escrita desde seu surgimento, novas formas de comunicação, o avanço das tecnologias, tudo isso veio favorecer essa mudança, pois a partir daí os sujeitos produzem novas formas de se relacionar, conviver, interagir, produzindo novas linguagens, principalmente nos ambientes informais proporcionados pela internet. Surge o internetês, comunicação necessária por requerer agilidade, o hipertexto, como um texto não-linear e principalmente o aumento da comunicação mediado por computador.
 É uma realidade, e escola não deve fugir dessa realidade, da qual os seus alunos fazem parte. É necessário pois, estarmos atentos a escrita desses sujeitos, levando em conta o ambiente em que estão inseridos, não esquecendo que o uso das novas tecnologias nas escolas oferece oportunidade tanto aos alunos quanto aos professores de desenvolverem melhor suas competências, de forma a dominar o uso da língua e desenvolver maior eficácia com relação à fala e à escrita. Destarte, a atividade produzida no hipertexto é de fundamental importância, pois os alunos poderão compreender e vivenciar os vários usos e funções da língua.


REFERÊNCIAS

BARRETO; R. P.; BALDINOTTI, Sérgio. Ciberdiscurso e Interculturalidade na Web. Tangará da Serra [MT], 2005.
BISOGNIN, Tadeu Rossano. Sem medo do internetês. – Porto Alegre, RS: AGE, 2009
FREITAS, Maria Teresa de Assunção. Leitura e escrita de adolescentes na internet e na escola/organizado por Maria Teresa de Assunção Freitas e Sérgio Roberto Costa. – 2.ed. – Belo Horizonte: Autêntica, 2006.
HIGOUNET, Charles. História concisa da escrita. Tradução da 10ª Ed.corrigida Marcos Macionillo – São Paulo: parábola Editorial, 2003.
Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hipertexto - Acesso em 10/03/2011 - 20:10






[1] Graduanda do curso de Licenciatura em Letras e Literaturas de Língua Portuguesa, 7º semestre da Universidade do Estado da Bahia –UNEB – Campus VXI – Irecê – BA.
[2] Professor orientador, Doutorando em Educação - Linha 2 Linguagem, Filosofia e Práxis Pedagógica - FACED/UFBA. Formação docente, Currículo e Tecnologias intelectuais, da Universidade do Estado da Bahia – UNEB – Campus I – Salvador – BA. Técnico Administrativo Educacional do CEFAPRO/SEDUC/MT – Pólo Tangará da Serra – MT.
[3] Os Sumérios foram um povo de origem desconhecida que se fixou na região da Baixa Mesopotâmia entre 3200 e 2800 a.C.
[4] Cuneiforme – em forma de cunho.
[5] Desenhos e símbolos que representavam idéias, conceitos e objetos. Os hieróglifos eram juntados, formando textos.
[6] Muito utilizada no Antigo Egito para relatar assuntos do cotidiano.
[7] É uma grafia particular dos alfabetos latino e grego, utilizada a partir do século III ao século VIII nos manuscritos, pelos amanuenses latinos e bizantinos.
[8] É o termo que remete a um texto em formato digital, ao qual agrega-se outros conjuntos de informação na forma de blocos de textos, palavras, imagens ou sons, cujo acesso se dá através de referências específicas denominadas hiperlinks, ou simplesmente links.